Hand history é o arquivo que conta tudo que aconteceu em uma mão ou torneio: blinds, stacks, posições, cartas, ações, tamanho das apostas, showdown e resultado. Para muita gente ele parece um bloco de texto confuso. Para quem estuda poker de verdade, ele é o material bruto mais importante.
O objetivo não é decorar o formato de cada sala. O objetivo é conseguir responder perguntas simples:
- Quem estava em qual posição?
- Qual era o stack efetivo?
- Quem abriu a ação?
- O tamanho das apostas fazia sentido?
- A decisão ruim aconteceu pré-flop, flop, turn ou river?
- O resultado da mão contaminou sua análise?
Este guia te mostra como ler uma hand history na prática e como transformar esse texto em estudo.
O que aparece em uma hand history
Uma hand history costuma ter cinco blocos:
- Identificação da mão ou torneio.
- Mesa, blinds, antes e jogadores.
- Stacks e posições.
- Ações por street: pré-flop, flop, turn e river.
- Showdown e resultado.
Mesmo quando a sala muda a ordem ou a linguagem, a lógica é sempre parecida. Se você sabe separar esses blocos, o texto para de assustar.
Primeiro leia o contexto, não as cartas
O erro comum é abrir o arquivo e procurar direto suas cartas. Antes disso, leia:
- nível de blind;
- ante;
- stack dos jogadores;
- posição do hero;
- quantos jogadores estão na mesa;
- se é torneio normal, bounty/PKO, satélite ou mesa final.
A mesma mão pode ser ótima ou péssima dependendo do contexto. Um all-in de 12 blinds no botão não é igual a um all-in de 12 blinds no UTG. Um call em PKO pode ser bom por causa do bounty e ruim em torneio normal.
Stack efetivo: a informação mais importante
Stack efetivo é o menor stack entre os jogadores envolvidos. Se você tem 40 blinds e o vilão tem 18 blinds, a mão é jogada como uma mão de 18 blinds efetivos contra ele.
Isso muda tudo:
- com 12 blinds, muitos spots viram push/fold;
- com 25 blinds, ainda existe espaço para raise/fold e 3-bet shove;
- com 60 blinds, pós-flop importa muito mais.
Antes de julgar uma mão, pergunte: quantos blinds efetivos estavam em jogo?
Como ler o pré-flop
No pré-flop, procure a primeira ação agressiva:
- todos foldaram até alguém abrir raise?
- houve limp?
- houve 3-bet?
- alguém pagou fora de posição?
- o tamanho do raise foi padrão?
Exemplo simples:
UTG raises to 2.2bb, Hero calls BTN, BB calls
Aqui o UTG abriu, Hero pagou no botão e o big blind completou. Antes de analisar o flop, você já sabe que:
- o range do UTG tende a ser mais forte;
- Hero tem posição;
- o big blind entrou com preço bom;
- o pote será multiway, então blefes grandes precisam de mais cuidado.
Como ler flop, turn e river
Em cada street, faça três perguntas:
- Quem tem vantagem de range?
- Quem tem vantagem de nuts?
- O tamanho da aposta conversa com a textura do board?
Um board seco como A72 rainbow permite c-bets pequenas com frequência. Um board conectado como T98 com flush draw exige mais cuidado, porque o range que paga ou aumenta pode ter muita equity.
Não olhe apenas se você ganhou ou perdeu. Olhe se a linha fazia sentido.
Showdown: útil, mas perigoso
O showdown mostra as cartas do vilão e o resultado. É útil para estudar, mas pode enganar. Se você olha primeiro o resultado, corre o risco de pensar:
- "perdi, então joguei mal";
- "ganhei, então joguei bem";
- "ele tinha exatamente isso, então meu fold/call foi certo".
Poker é jogo de decisão sob incerteza. Use o showdown como informação, não como juiz absoluto.
Como marcar leaks na hand history
Quando revisar, procure padrões:
- calls fora de posição com mãos dominadas;
- c-bet automática em board ruim;
- passividade com mãos fortes;
- overcall em river;
- all-in curto fora de range;
- fold por medo em spot lucrativo.
Um leak isolado pode ser variância. Um padrão repetido é prioridade de estudo.
Como o GTO Vyve ajuda
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Conclusão
Ler hand history é separar contexto, stacks, posições, ações e resultado. Quando você aprende essa ordem, cada mão vira material de estudo. O segredo não é revisar uma mão perfeita: é revisar muitas mãos com o mesmo método.
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